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“We will never regain the sense of invincibility we had before the virus”: Estadao Interviews Andrew Solomon


Photo: Kate Williams, 2016. Source: Wikimedia Commons.

by Maria Fernanda Rodrigues

Estadão: Estamos entrando no 9º mês de uma pandemia que transformou nossas vidas. Passamos, individualmente e coletivamente, por várias fases. Sentimos medo, ansiedade. Alguns vivenciaram situações de pânico e depressão. Muitos negaram a situação. Houve uma certa flexibilização, para então tudo piorar. Onde estamos neste momento, no que diz respeito ao nosso ânimo diante do coronavírus? E como isso pode influenciar nas nossas próximas ações e no futuro da humanidade?

Solomon: Com a vacina, podemos pensar, realisticamente, que isso não vai continuar para sempre. Mas, ao mesmo tempo, enfrentamos uma grande fadiga, a fadiga da quarentena. Ao fim de nove meses, já não é mais uma experiência em que encontramos sentido ou descobrimos coisas novas. Algumas foram transformadas por isso. Outras reavaliaram suas prioridades e às vezes saíram com prioridades melhores. Mas há muita solidão e uma grande sensação de isolamento. Nas relações adultas, se não vemos outras pessoas por alguns meses, esse relacionamento não muda exatamente. Já nos relacionamentos infantis, que têm um impacto não só nas crianças, é diferente. Meu filho tinha 10 anos quando isso começou. Ele tem agora 11 anos e meio e é, em muitos aspectos, uma pessoa diferente do que era. Seus amigos também são pessoas diferentes e é difícil sustentar essas amizades por esse período. Há uma tendência de as pessoas começarem a dizer que não podem viver assim para sempre e relaxar a guarda. E com as pessoas relaxando a guarda, e há uma necessidade psicológica em se fazer isso, comete-se um erro terrível com relação à saúde. Todo mundo está tendo que negociar esse equilíbrio entre saúde física e mental – particularmente quem vive sozinho, mas também quem está numa família em que se enlouquecem mutuamente. É preciso expertise interna para balancear sua saúde física e mental e para decidir quais riscos valem a pena. E quem mais tem condição de fazer isso são as pessoas com mais privilégio e maior grau de instrução. Essa é mais uma prova de como a pandemia afeta mais os menos favorecidos que a gente.

Estadão: We are entering the 9th month of a pandemic that has transformed our lives. We passed, individually and collectively, through several phases. We feel fear, anxiety. Some experienced situations of panic and depression. Many denied the situation. There was a certain easing, so everything got worse. Where are we at this moment, with regard to our mood towards the coronavirus? And how can this influence our next actions and the future of humanity?

Solomon: With the vaccine, we can realistically think that this will not go on forever. But, at the same time, we face a great fatigue — quarantine quarantine. After nine months, it is no longer an experience in which we find meaning or discover new things. Some have been transformed by it. Others have reassessed their priorities and sometimes have emerged with better priorities. But there is great loneliness and a great sense of isolation. In adult relationships, if we don’t see other people for a few months, our relationships don’t exactly change. In children’s relationships, which have an impact not only on children, it is different. My son was 10 years old when it started. He is now 11½ years old and in many ways a different person than he was. Your friends are also different people and it is difficult to sustain those friendships over that period. There is a tendency for people to start saying that they cannot live like this forever and relax their guard. And with people relaxing their guard — and there is a psychological need to do that — a terrible health mistake is made.

Everyone is having to negotiate the balance between physical and mental health — both those who live alone, and those who are in a family where they drive each other crazy. It takes internal expertise to balance your physical and mental health and to decide which risks are worth it. And those most in a position to do this are the people with the most privilege and the greatest level of education. This is further proof of how the pandemic affects the less fortunate.

(To read the complete interview, please visit Estadão.)